Emgetis: servidores denunciam gestor por ilegalidades
Assesp revela que gestor alterou legislação para se beneficiar
Os servidores da Empresa Sergipana de Tecnologia da Informação (Emgetis) estão insatisfeitos com as decisões adotadas pela atual gestão. Segundo a presidente da Associação dos Empregados da Emgetis (Assesp), Keyssie Pinheiro, a gestão realizou vários cortes, inclusive direitos conquistados há mais de duas décadas, e denuncia o diretor-presidente Ézio Prata Faro de fazer modificações na legislação para beneficiá-lo diretamente.
A presidente da Assesp revela que a creche e o campo de futebol foram desativados e a entidade, cuja sede funciona em espaço anexo da empresa, está ameaçada de despejo. “A creche que funcionava na sede da Associação foi fechada e agora o presidente quer despejar administrativamente a associação, que funciona no prédio anexo”, enaltece a presidente da entidade. Além destas medidas, a presidente destaca a inércia da gestão para renegociar com o governador Jackson Barreto o corte da gratificação concedida aos servidores a título de adicional de prorrogação, conquistada há cerca de 20 anos, para contemplar os servidores que trabalham os dois expedientes na repartição pública. Assim como também foi extinto o plano de saúde.
A gratificação, segundo a presidente da associação, representa 50% da remuneração paga pelo Estado aos servidores. Com o corte, há servidores que estão enfrentando dificuldades financeiras, conforme ressaltou. Ela reconhece que as medidas foram adotadas pelo governador Jackson Barreto como forma de proporcionar economia aos cofres públicas e enfrentar a crise, mas ressalta que em outras repartições os gestores conseguiram negociar e conseguiram manter as gratificações, com alguma redução em seu valor. “Mas aqui não, a gestão cortou e pronto e não negociou nada com o governador”, ressalta.
A presidente da associação ressalta que o diretor da Emgetis, Ézio Prata Faro, conseguiu modificar a legislação para contemplar os diretores com a gratificação do adicional de prorrogação. Esta gratificação, na ótica da presidente, seria restrita aos servidores já que os diretores exercem cargos de confiança e não teriam direito a recebê-la. Desde o ano de 2015, a gratificação vem sendo paga ao diretor-presidente no montante de R$ 6,5 mil, segundo a presidente da Assesp.
Como a gestão de Ézio Faro na diretoria foi iniciada em 2010, ele próprio, segundo a presidente da Associação, solicitou o pagamento retroativo a 2010. “Mas foi convencido a desistir da reivindicação e essa solicitação foi arquivada”, explica a presidente.
Nota
A Emgetis se manifestou através de nota. A assessoria de imprensa reconhece o pedido pelo efeito retroativo da gratificação para o diretor, mas garantiu que o episódio já foi solucionado a partir do arquivamento da solicitação. Já faz muito tempo, segundo a assessoria, que essa solicitação foi cancelada. Na nota, enviada pela assessoria, a Emgetis diz que os cortes nas gratificações estão inclusas entre as medidas de contenção de despesa do Governo.
A Emgetis explica também que, diante das medidas de contenção, tornou-se inviável a manutenção da cessão gratuita do espaço da Emgetis para a Associação dos Funcionários, “tendo em vista que a Emgetis teria que investir com reformas no local, principalmente quanto à adequação da estrutura da cantina às normas vigentes da Vigilância Sanitária no tocante à preparação, armazenamento e fornecimento de alimentos e a utilização de gás inadequada”.
Na nota, a Emgetis explica que a Emgetis obedece determinação Conselho de Restruturação e Ajuste Fiscal (Crafi/SE) para a suspensão do convênio. Pelo convênio, a Emgetis repassava anualmente cerca de R$ 18 mil à Assesp, segundo a nota enviada pela assessoria de imprensa, o que seria classificado como “injustificável à luz dos princípios da moralidade, da economicidade e da razoabilidade” arcar com todos este ônus e transferir R$ 1.500,00 mensais para a entidade.
Na nota, a Emgetis informa que já encontrou o campo de futebol sem uso, tomado pelo mato e que a retirada dos restos da estrutura foi retirado em comum acordo com o presidente da Assesp à época. “Por fim, diante do momento difícil, a Presidência da Emgetis ofereceu à Associação um espaço dentro da empresa para armazenar seus arquivos/documentações e também para a realização de reuniões”, destaca a nota.
Na nota, a Emgetis esclarece que a decisão do Conselho de Administração da Emgetis sobre a extensão deste benefício para os diretores sem vínculo empregatício, teve como base o Princípio de Isonomia, assegurado no artigo 7º da Constituição Federal. “Acrescentamos ainda que o único Diretor da Emgetis que possui assento no Conselho de Administração é o Diretor-Presidente da empresa, que se absteve na votação da referida concessão quando da sua aprovação”, ressalta a nota.
Por Cássia Santana