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Estudo aponta que a extrema pobreza dobrou em Sergipe

Estudo aponta que a extrema pobreza dobrou em Sergipe


10/10/2018 02:19

 

Por Bruno Villas Bôas

A extrema pobreza cresceu em todo o país durante a crise, de 2014 a 2017, mas foi na região historicamente mais carente, o
Nordeste, em que essa piora se deu de forma mais intensa. Estados como Bahia, Piauí e Sergipe viram dobrar ou quase dobrar o
número de famílias vivendo na miséria. No Norte, o Acre chamou atenção pela rápida piora nesses quatro anos.
Levantamento da consultoria Tendências, obtido pelo Valor, mostra que, das 27 unidades da federação, 25 tiveram piora da
miséria entre 2014 e 2017. Nove Estados atingiram um nível recorde no ano passado. Na média nacional, a pobreza extrema
avançou de 3,2% em 2014 para 4,8% em 2017, maior patamar em pelo menos sete anos, conforme dados da consultoria.
São consideradas em situação de extrema pobreza as famílias com renda domiciliar per capita abaixo de R$ 85 no ano passado.
Esse foi o critério da consultoria, baseado no Plano Brasil Sem Miséria, definido por decreto em 2016 - referência do Bolsa
Família. Existem outros critério de corte da miséria, nenhum considerado oficial. Por exemplo, o Banco Mundial usa uma linha de
US$ 1,90 por dia.
O Maranhão segue liderando o ranking de extrema pobreza do país. E tem sido assim
há pelo menos sete anos, início da série histórica levantada pela consultoria. Do total
de famílias maranhenses, 12,2% viviam com menos do que R$ 85 por pessoa no ano
passado. Quatro anos antes, o indicador era de 8,7%.
Foi na Bahia, porém, que a miséria cresceu mais rapidamente. A proporção de
famílias nessa situação dobrou em quatro anos - de 4,8% em 2014 para 9,8% no ano
passado. Desta forma, o Estado, que tem a maior população do Nordeste e a quarta
maior do país, escalou da 12ª para a terceira posição no ranking.
Além do Maranhão e da Bahia, Sergipe chamou atenção por ter também mais do que dobrado o percentual de famílias vivendo na
pobreza extrema - de 4,1% em 2014 para 8,9% no ano passado, saltando da 13ª para a sexta posição do ranking. Haddad liderou a
votação nesses três Estados nordestinos, com mais de 50% dos votos válidos.
Segundo Adriano Pitoli, diretor da consultoria Tendência, a piora da pobreza no Nordeste reflete tanto as particularidades da
região quanto a crise do país, que afetou o emprego especialmente de setores que ocupavam mão de obra de menor qualificação,
como comércio e serviços.
O economista explica que, de 2004 a 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 4% em média ao ano. Nesse período,
a renda das famílias cresceu 5,8%, e as vendas do varejo, ainda mais, em 8,1% ano. Esse boom de consumo gerou empregos no
comércio e no serviços. "O Bolsa Família e o reajuste do salário mínimo podem ter ajudado, mas a redução da pobreza se deu pelo
emprego nesses setores. Esses empregos foram, inclusive, os que mais sofreram durante a crise e que agora começaram a se
recuperar", disse.
A piora acentuada no Nordeste também foi explicada pelo fim de um ciclo de investimentos e direcionamento de recursos
públicos para a região. Com a crise fiscal do país, o Nordeste passou a receber menos estímulos estatais, como as grandes obras de
infraestrutura, de refinarias a estaleiro. Existiria, portanto, uma "ressaca" econômica local.

 

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